Tudo começou com dois e uma fogueira. Cada seguidor da página vira um morador, e os comentários escolhem nomes, ofícios e até o rei. Hoje Krynthal tem rei, muralha, sino, e a primeira expedição já chegou à lagoa.
Krynthal é uma série de vídeos em pixel art no Instagram. A vila cresce junto com a página, um episódio por vez.
Seguiu, virou morador. O número da abertura de cada episódio é o número de seguidores do dia.
Nome, ofício, de onde veio. Os comentários viram personagens, cargos e até votações.
Quem chega começa de baixo. Alguns nomes ficam na história, com o nome em cima da cabeça.
Da mata saiu a Nicki, uma arqueira que vive sozinha perto da lagoa e já conhecia aquele dragão. A expedição passou a noite em volta das tochas e, de manhã, voltou para Krynthal com os cestos cheios de peixe. A comida não vai mais faltar. Mas o Willian não voltou.
EP10 em breve. Comenta no último episódio quem você quer ser.
Todos os personagens com nome e o @ de cada um. Procure o seu.
A história de Krynthal do começo: da fogueira até a lagoa.
A floresta em volta e os cinco lugares que ninguém entende.
Todos os episódios em ordem, com quantos moradores tinha em cada um.
Monte o seu morador, jogue o dado e baixe a carta para o story.
Quer ser um personagem? Tem uma ideia? Deixe na caixa da praça.
Como entrar na história, por que você ainda não apareceu e mais.
Ajude a manter a fogueira acesa. Krynthal continua de graça.
Se você segue, você já mora em Krynthal. Mas, em toda grande história, alguns nomes ficam. Estes são eles.
Ainda não tem ninguém com esse nome no livro... mas o próximo pode ser você.
Ainda sem nome na história, mas com o ofício escolhido.
Tudo o que já aconteceu no reino. O que ainda ninguém sabe... continua sem saber.
Este capítulo ainda está trancado.
Ninguém em Krynthal sabe o que aconteceu aqui... ainda.
Este capítulo ainda está trancado.
Ninguém em Krynthal sabe o que aconteceu aqui... ainda.
Enquanto o reino do norte crescia, longe dali, dois viajantes chegaram a uma clareira bem no meio daquela floresta.
Ninguém sabe de onde vieram. Eles mesmos nunca contaram. Chegaram com o que dava para carregar nas costas: um machado, umas ferramentas, um pouco de comida e pressa nenhuma.
Um vestia uma camisa vermelha e tinha os braços de quem passou a vida cortando lenha. O outro, de camisa azul, olhava para o chão como quem já está vendo a casa pronta. O lenhador e o construtor. Mais tarde, a vila inteira passaria a chamá-los de outro jeito: os fundadores.
A clareira era pequena, um círculo de terra batida e capim no meio de árvores tão altas que, ao meio-dia, o sol só entrava em fiapos. Em volta, para todos os lados, era mato até onde a vista alcançava. Eles não sabiam o que havia lá fora. Não sabiam que, no noroeste, uma torre quebrada guardava os livros de um homem morto. Não sabiam dos ossos no oeste, nem da árvore gigante no nordeste, nem da montanha com duas cachoeiras no sul. E não sabiam que, a meio dia de caminhada para o leste, numa lagoa que não nasce de rio nenhum, alguma coisa preta comia peixe no escuro.
Na primeira noite, acenderam uma fogueira no meio da clareira. Foi o primeiro fogo aceso ali em muito tempo. A floresta respondeu com os barulhos de sempre: galho estalando, bicho andando, vento nas folhas. Eles revezaram a vigia até o dia clarear.
De manhã, começaram.
O lenhador escolhia as árvores da beira da clareira e derrubava uma por uma. Cada árvore que caía deixava a clareira um pouco maior e o céu um pouco mais aberto. O construtor nivelava o chão, separava as toras retas das tortas e encaixava madeira com madeira. Trabalharam do nascer ao pôr do sol, dia após dia, com a fogueira sempre acesa por perto.
Até que, numa tarde, havia quatro paredes e um telhado. Era a primeira cabana.
Não tinha muro. Não tinha castelo. Não tinha nem nome. Eram só dois, uma fogueira e muito trabalho pela frente.
Mas toda cidade começou assim.
A fumaça da fogueira subia todo dia acima das árvores, e quem anda perdido no mato segue fumaça. Foi assim, ou mais ou menos assim, que os outros foram chegando. Primeiro um, depois uma família, depois mais um punhado. Cada um trazia o que sabia fazer, e na clareira sempre havia o que fazer.
Um deles se chamava David. Andou pela beira da clareira com um punhado de terra na mão, cheirou, esfarelou entre os dedos e escolheu o lado do norte. Ali abriu a primeira plantação de Krynthal, uma fileira torta atrás da outra, regada no balde.
Outro se chamava Matheus e não chegou sozinho: trouxe as primeiras ovelhas. Na primeira semana, elas fugiram duas vezes para dentro da mata, e duas vezes ele foi buscar.
Para ter água sem precisar entrar na mata, cavaram um poço bem no meio da vila. Do lado da plantação, ergueram um celeiro. E então, numa manhã de sol, a terra que ninguém tinha plantado antes deu comida pela primeira vez. Foi a primeira colheita de Krynthal, e naquela noite ninguém foi dormir cedo.
Mas havia um morador que não tinha paciência para esperar o trigo crescer. Era o Eduardo.
Desde que chegou, ele olhava para o leste. Tinha ouvido falar de uma lagoa no meio da mata, a meio dia de caminhada, e queria ver com os próprios olhos. Ninguém quis ir junto. Então ele foi sozinho.
Andou a manhã inteira pela floresta do leste. Lá pelas tantas, achou no barro uma pegada maior que as duas mãos abertas, e depois outra, e mais outra, fundas, com marca de unha na ponta. Um pouco adiante, os troncos das árvores estavam rasgados de cima a baixo, como se alguma coisa tivesse afiado as garras ali. As marcas eram recentes. A seiva ainda escorria.
O Eduardo nem chegou a ver a água. Deu meia-volta e correu o caminho todo de volta, sem olhar para trás.
Naquela noite, em volta da fogueira, Krynthal fez a sua primeira lei, e ninguém precisou votar: sozinho, ninguém sai da vila.
O Eduardo concordou. Mas não desistiu. No dia seguinte, começou a juntar gente para uma equipe de expedição. O Yuri foi o primeiro a jurar que iria com ele. O Samuel foi o segundo.
E longe, a leste, a lagoa brilhou violeta por um instante. Ninguém estava olhando.
Na noite da primeira colheita, um viajante passou pela clareira. Usava uma boina verde caída de lado, tinha a roupa empoeirada de estrada e uma língua que não parava. O nome dele era Vieric, e ele era bardo.
Viu meia dúzia de moradores em volta de uma fogueira, comendo o pão da primeira colheita como se fosse banquete de rei. Sentou, comeu junto, ouviu as histórias de cada um e, antes de o sol nascer, já tinha uma canção pronta. Chamou de A Canção da Clareira. Falava de um lugar no meio da floresta onde o fogo nunca apagava, onde a terra dava comida para quem trabalhasse e onde ninguém perguntava de onde você vinha.
O Vieric fala bonito e sempre aumenta um pouco. Na canção, a clareira era maior do que era, o trigo era mais alto e os moradores eram mais corajosos. Mas canção boa não precisa ser exata. Precisa ser cantada.
E ela foi. Correu as tavernas da neve, as do campo e as do litoral, de boca em boca, de bardo em bardo, e chegou longe, até onde nem o próprio Vieric tinha chegado. Chegou, principalmente, a quem não tinha mais para onde ir.
Porque, nesse meio-tempo, o reino do norte tinha caído.
Ninguém sabe direito o que aconteceu. Os que estavam lá contam pedaços, e os pedaços não se encaixam. Todos concordam em duas coisas: veio do norte, e foi rápido. Numa noite, o reino estava de pé. Na manhã seguinte, não estava mais. Quem sobreviveu pegou o que conseguiu carregar e andou para o sul, sem rumo, de estrada em estrada, de taverna em taverna. Numa delas, alguém cantou a canção da clareira. E os que ouviram decidiram ir atrás dela.
Numa noite, o Vieric voltou à clareira. Não vinha sozinho.
Ao lado dele vinha uma criatura que batia na cintura de um homem, de barba comprida e com uma viola quase do tamanho dele. Era o Diogo, um gnomo violeiro. Ninguém em Krynthal tinha visto um gnomo antes. O Diogo é rabugento, fala pouco e, quando fala, é para corrigir o Vieric. Se o Vieric diz que foram quarenta mil, o Diogo diz que foram quatro.
E atrás dos dois, saindo da mata, vinham tochas. Uma, dez, cem. Tochas até onde a vista alcançava. Era uma caravana inteira de refugiados, com carroças, crianças dormindo no colo e gente andando descalça. Na frente deles vinha um homem de postura firme, que tinha comandado a guarda do reino caído. Até hoje é chamado só de o capitão dos refugiados.
Um dos refugiados carregava, enrolada num pano, uma peça de metal. Ninguém em Krynthal sabia o que era, nem sabia fazer nada parecido.
A clareira tinha três cabanas. Naquela noite, passou a ter mais de cinco mil pessoas. Não havia casa para todos, nem comida para todos. E não havia ninguém que mandasse.
Krynthal não dormiu.
Naquela noite e nas seguintes, a clareira inteira trabalhou. As tendas dos refugiados viraram ruas, e as ruas viraram casas. Árvores caíam o dia todo, e a clareira, que antes cabia num olhar, foi se abrindo para dentro da floresta.
O Jonatas acendeu a primeira forja de Krynthal. O martelo dele começou a bater de manhã e não parou mais. Quem chegava à vila ouvia a forja antes de ver as casas.
O Antônio olhou para as ovelhas do Matheus, que continuavam fugindo, e cercou um pasto para elas. Chamou de Recanto de Krynthal, e o nome pegou.
O Abner abriu uma taverna. Não era grande, mas tinha cerveja, banco comprido e uma lareira. Foi lá que o Vieric e o Diogo arrumaram um canto fixo, e desde então tocam toda noite. O Vieric canta, e o Diogo corrige.
Ergueram uma padaria, uma serraria e, em volta de tudo, a primeira paliçada, uma cerca de troncos pontudos. Krynthal ficou redonda, cheia de ruas tortas que ninguém planejou, puxada para o lado da lagoa. A clareira tinha virado uma vila de verdade.
Só que tanta gente junta trouxe uma pergunta que ninguém queria fazer em voz alta: quem manda aqui?
Os fundadores diziam que a vila era de quem tinha chegado primeiro. Afinal, a primeira cabana era deles. O capitão dos refugiados dizia que já tinha comandado a guarda de um reino inteiro e sabia o que fazer quando as coisas apertam. Os dois tinham razão, e essa era a parte difícil.
Enquanto isso, a equipe do Eduardo cresceu. Mas agora a regra era outra: ninguém sai sem armas e sem ordem. E ordem precisa de alguém que dê.
Krynthal precisava de um líder. Nas ruas, nas filas do poço e na taverna do Abner, as pessoas começaram a dizer nomes. Dois deles se repetiram mais que os outros: o Ricardo e o Rudolf. A vila ia escolher entre os dois.
Com a última caravana, chegaram os mineiros. Era gente da montanha, com picareta no ombro e pó de pedra na barba.
O primeiro deles se chamava Pires. Ele parou no meio da rua principal, olhou em volta, foi até a parede de uma casa e bateu com o nó dos dedos. A madeira respondeu com um som oco. O Pires riu.
— Madeira não segura um reino.
Ninguém soube responder.
A coroa ainda estava sendo decidida, mas, enquanto isso, aconteceu uma coisa que ninguém esperava: Krynthal parou de discutir. Fundadores e refugiados, os que chegaram primeiro e os que chegaram depois, pegaram as ferramentas e trabalharam lado a lado numa causa só. Deram a ela um nome à altura: A Grande Obra.
Na beira da mata, os mineiros abriram a primeira pedreira, e as carroças de pedra não pararam mais de chegar.
Na forja do Jonatas apareceu um homem de cabelo branco e mãos enormes, cheias de queimaduras antigas. Era o Sr. Nunes, mestre ferreiro de um reino distante. Cada picareta, cada prego e cada dobradiça do portão novo saiu da bigorna dele. E, atrás do Sr. Nunes, veio tanto ferreiro que faltou bigorna.
Também chegou a Jheni, mestre de obras. Ela não pediu papel. Pegou um graveto, se ajoelhou na terra da praça e desenhou a cidade inteira no chão: os bairros, as ruas retas, a muralha, o lugar de cada torre. Quando terminou, olhou para quem estava em volta e disse:
— Não são castelos que fazem reis. São lares que fazem um reino.
E foi assim que fizeram. As casas de dentro viraram pedra, e as ruas tortas viraram bairros. Os campos ficaram do lado de fora, com os agricultores e as casas de madeira. Em volta de tudo, subiu uma muralha. Nos cantos, subiram torres de vigia, com sentinelas de tocha acesa a noite inteira. Na estrada do leste, a que leva à lagoa, ergueram um posto avançado no meio da mata. Os soldados passaram a fazer a ronda, e ninguém mais chegava a Krynthal sem ser visto.
No centro da cidade, abriram uma praça. E, no meio da praça, começaram um castelo. Era um castelo sem rei.
O Whill, um dos ferreiros, forjou um sino de bronze e pendurou na torre mais alta. Combinaram que ele tocaria toda vez que alguém novo chegasse para morar.
Na primeira vez que o sino tocou, longe dali, no noroeste, a luz da torre antiga piscou.
Ninguém soube explicar.
A vila votou, e o escolhido foi o Rudolf.
No fim da tarde, a cidade inteira subiu até o castelo. O sino do Whill tocou, e a coroa desceu sobre a cabeça de Rudolf, o Primeiro, de manto azul nos ombros, o primeiro rei de Krynthal.
Todo mundo esperava um discurso de guerra, porque é assim que os reis costumam começar. Ele não falou de guerra. Disse que não desejava uma coroa sustentada pelo medo. Disse que Krynthal não seria obra de um homem só, mas obra do seu povo.
Num canto, um gnomo de gorro vermelho pontudo e barba branca pintava tudo sem tirar os olhos da tela. Era o Café. Aquele foi o primeiro retrato de um rei de Krynthal.
A primeira ordem do rei foi nomear a Clara como sua conselheira. O plano dela era simples, e por isso funcionou: descobrir o talento de cada um e dar a cada um o seu lugar.
Quase duzentos pediram espada e escudo. O Kevin virou capitão da guarda, e naquela noite cada tocha da muralha foi acesa por um soldado dele. A guarda real ganhou dois cachorros: o Guga, branco com manchas caramelo, e a Kiara, preta, caramelo e branca. A Isabelle ficou com a guarda de elite. É ela quem vai na frente quando alguém sai da muralha. O Devair ficou com os recrutas, e ninguém dormiu cedo.
Quase trezentos quiseram explorar, e viraram equipes. Mais de cem construtores e artesãos ganharam, cada um, o seu ofício. Na forja do Sr. Nunes, os ferreiros novos fizeram fila de novo, e de novo faltou bigorna. Perto da praça abriu um mercado central, e as mercearias se espalharam pelos bairros. Ergueram uma casa de curas, com uma estufa cheia de ervas. Mais de setenta agricultores e pastores chegaram com vacas, cabras e galinhas, e as ovelhas do Matheus finalmente ganharam companhia.
E cento e oitenta pessoas pediram uma coisa que Krynthal ainda nem conhecia. A Clara anotou o pedido e guardou.
Por último, o rei chamou a Rafaelle. Entregou a ela um livro em branco e a chave de uma sala vazia no castelo. Foi assim que nasceu a primeira biblioteca de Krynthal. E a primeira página que a Rafaelle escreveu conta como tudo começou: dois, e uma fogueira.
Krynthal tinha um rei, tinha guarda, tinha ofício e, agora, tinha história.
Do alto da muralha, a Isabelle já olhava para o leste, na direção da lagoa.
Enquanto não havia rei, ninguém contou quem chegava. Com a coroa no lugar, a contagem voltou, e o número assustou: três mil pessoas novas tinham chegado a Krynthal.
Subiram casas novas, abriram mais dois comércios e mais uma casa de cura. Do lado de fora da muralha, para o lado do leste, derrubaram algumas árvores e levantaram as primeiras casas fora dos muros. Pela primeira vez, a cidade crescia na direção da lagoa.
Na forja, o Sr. Nunes, o Jonatas e o Pires bateram espadas e escudos do nascer ao pôr do sol. Krynthal também ganhou um cozinheiro, o Rangel, que encheu os sacos da viagem com pão, queijo e carne seca. O Fellipe, o domador, ergueu um estábulo com a ajuda dos construtores e voltou da floresta do norte com cavalos selvagens. Krynthal nunca tinha tido um cavalo. Dois deles iriam puxar a carroça do Aleko, carregada com a comida do Rangel.
No fim da tarde, no portão leste, a Isabelle chamou quem ia.
O Eduardo, que pedia aquela lagoa desde o começo. O Yuri e o Samuel, que tinham jurado ir com ele. O Miguel, guerreiro de um reino destruído, que nadava como ninguém. O Breder, o guardião da chama, que levava as pederneiras e acendia as tochas. A Léa, que tinha servido na cavalaria arqueira do norte e lia qualquer rastro. O Michel, o arqueiro caolho. A Lhara, a que mais arriscava. O Bjorn, que não saía do lado da Isabelle. O Willian, o primeiro estudioso de bichos de Krynthal, que queria ver as garras de perto. E o Eliel, o cartógrafo, que ia desenhar o mapa do caminho.
À noite, na porta da taverna, o Alefe, o bêbado da vila, gritava para quem quisesse ouvir que sabia o que tinha na lagoa. Ninguém deu atenção.
Lá dentro, o Vieric cantava uma canção nova. Dizia que dois homens estavam vindo do oeste. Ninguém sabia quem eram, e o Vieric, quando perguntavam, só sorria.
Fazia dias que corria um boato pelas ruas: o rei tinha um grupo que respondia só a ele. Naquela noite, alguém viu dez vultos de capa escura saindo pelo portão oeste, sem tocha, sem barulho. O boato era verdade.
Chamam esse grupo de A Sombra da Coroa. Quem comanda é o Capitão Reis, o único com um broche dourado da coroa preso na capa. Ele queria o exército. Ganhou a sombra. Com ele estão o Moizes, o guerreiro sem nome; o Ludgero, o mestre dos sussurros; o Lemuel; o Jotta, o espião; o José, o infiltrado; o Draegor; o Gustavo; o Suzuki, o samurai; e o Miguel, que já tinha servido na guarda real do reino do norte. Ninguém sabe o que eles fazem, nem para onde foram.
Na forja, o Sr. Nunes pegou a peça de metal que tinha vindo com os refugiados e deixou a noite inteira no fogo mais quente que já tinha feito. De manhã, tirou com a tenaz. Estava igual. Não tinha derretido, nem mudado de cor. Ninguém em Krynthal sabia que metal era aquele.
No portão, o Erick, o primeiro mendigo de Krynthal, pediu uma moeda a cada um que passava. O rato dele, sentado no ombro, também.
Então o sino tocou.
E a expedição partiu rumo à lagoa.
A expedição saiu de manhã pelo portão leste. A lagoa não ficava longe: meio dia de caminhada pela floresta do leste, pela mesma trilha que o Eduardo tinha feito sozinho tanto tempo antes. Desta vez, ele não estava sozinho.
Passaram pelas árvores rasgadas de garra. O Willian parou em cada uma, mediu as marcas com a mão aberta e desenhou tudo no caderno. Chegaram à tarde. As árvores se abriram de repente, e lá estava ela: uma lagoa larga e parada, sem rio nenhum chegando nem saindo. Montaram acampamento na margem, ergueram as tendas, e o Breder acendeu a fogueira.
Quando escureceu e a lua subiu, a água ficou clara como vidro. Dava para ver os peixes lá embaixo. Eram centenas deles, prateados, se mexendo devagar.
Foi quando a água se mexeu.
Primeiro vieram as bolhas. Depois, anéis que cresciam a partir do meio da lagoa. E então a água estourou, e uma coisa subiu de dentro dela.
Era um dragão. Não era grande. Parecia mais um filhote, um pouco maior que um homem. Era preto e brilhante, e as escamas refletiam a luz da lua. Tinha cara de brabo.
Ele não olhou para o acampamento. Mergulhava e voltava com peixes na boca, um atrás do outro, e engolia sem mastigar.
O Willian chegou perto. Queria ver as garras. Deixou o caderno aberto perto da fogueira e foi andando pela areia da margem, só com a tocha, devagar, enquanto o dragão comia de costas.
Alguém gritou o nome dele.
O dragão virou. E atacou.
Foi rápido. Ninguém teve tempo de fazer nada. Num instante o Willian estava na margem; no outro, o dragão já o tinha levado para dentro da água. A tocha dele caiu na lagoa e apagou. Ficaram só os anéis na água.
As tochas caíram. Cada um correu para um lado.
O dragão saiu da água e subiu pela margem, pingando, devagar, com os olhos fixos no que se mexia. No escuro, a Lhara tinha caído na areia e se arrastava para trás, gritando por ajuda, com uma tocha caída ainda acesa ao lado. Ele vinha na direção dela. Já estava tão perto que ela via o próprio fogo da tocha brilhando nos olhos dele.
Então veio uma flecha, de dentro da mata.
E acertou, bem no meio dos olhos.
Lá dentro das árvores, contra a névoa do luar, havia uma sombra parada: alguém de capa, com o arco ainda erguido e as flechas no ombro. Ninguém da expedição tinha atirado.
Alguém estava vigiando a lagoa.
Em Krynthal, naquela mesma noite, ninguém sabia de nada.
O portão leste estava fechado. Nas torres, os guardas do Kevin faziam a ronda com as tochas acesas, como em todas as noites, e olhavam para a estrada que entrava na mata. A estrada estava vazia. A lagoa ficava a meio dia de caminhada, e de lá não chegava barulho nenhum.
Na margem, o dragão gritou. Era o mesmo grito agudo de bicho novo, agora mais alto, de dor. Ele empinou, abriu as asas para cima, agachou na areia e, com uma batida só, disparou reto para o céu. A areia explodiu para os lados, e as tochas que ainda estavam de pé tremeram com o vento. Num instante ele já tinha passado por cima dos pinheiros e sumido dentro da floresta.
A Lhara ficou ali, encolhida, até o Eduardo e o Breder chegarem para levantá-la.
Da mata saiu uma moça de cabelo rosa comprido, com uma capa marrom de barra rasgada, a aljava nas costas e o arco ainda na mão. Ela andou pela areia, devagar, e foi chegando mais perto da luz das tochas. Parecia fraca, como quem tinha acabado de sair da batalha mais difícil da vida dela. Abaixou o arco, deu mais dois passos e caiu de joelhos.
O nome dela é Nicki. Vive perto da lagoa, sozinha, há não se sabe quanto tempo.
A expedição inteira ficou parada na praia, olhando para ela, com o fogo de duas tochas na mão. A Nicki não olhava para eles. Olhava para o céu, por cima da lagoa. Lá no alto, uma sombra pequena de asas abertas passou na frente da lua e sumiu.
Ela já conhecia aquele dragão.
Ajudaram a Nicki a levantar, deram a ela um cobertor e dividiram a comida do Rangel. Ninguém dormiu direito. Fincaram as tochas em círculo na areia, em volta do acampamento, e ficaram todos perto da fogueira, de olho na água. A lua atravessou o céu inteiro, e as tochas ficaram acesas até o sol nascer.
De manhã, com a luz do dia, viram a lagoa de verdade. Era muito maior do que parecia de noite, azul e parada, com o sol batendo em cima. A água era transparente até onde a vista descia, e os cardumes não tinham fim. De vez em quando, um peixe pulava. Era peixe para alimentar Krynthal inteira, e ainda sobrava.
Encheram os cestos, carregaram a carroça do Aleko e pegaram a estrada de volta. A Nicki foi com eles.
Chegaram no fim da tarde, com o sol se pondo atrás das torres. O portão leste estava aberto e aceso, as bandeiras balançavam lá em cima, e o povo esperava no vão, acenando, porque a sentinela tinha visto a carroça de longe. O sino do Whill tocou.
A expedição voltou com duas notícias, uma boa e uma ruim.
Na rua logo depois do portão, o Aleko subiu na traseira da carroça e foi passando os cestos, um por um. O Bjorn e o Samuel levavam até a pilha, e a pilha não parava de crescer. O povo foi se juntando em volta, uma criança pulou, e um morador ergueu os dois braços. A comida não ia mais faltar em Krynthal.
A Isabelle ficou perto da carroça, ao lado da Nicki. Ninguém ali tinha visto aquela moça antes.
E o Willian não ia mais voltar.
Afastada de todo mundo, perto do portão, a Lhara segurava o caderno que ele tinha deixado perto da fogueira. Abriu na última página. Ali estavam as três garras, desenhadas a lápis, e ao lado a cabeça do filhote, de perfil. O vento levantou a ponta da folha, e uma lágrima caiu bem em cima do desenho.
Lá no leste, a lagoa brilhou.
Krynthal nasceu no meio de uma floresta que ninguém tinha explorado. Em volta, longe, há lugares que ninguém entende. Toque nos pontos.

Os exploradores do Eduardo já estão de olho. Um dia alguém vai até lá. Talvez seja você.
Cada episódio sai quando a página cresce. O número da abertura é real.
Monte o seu morador peça por peça, ou jogue o dado. Depois baixe a carta e poste marcando a @krynthal.
Entre com o Google para salvar o seu personagem e descobrir a história dele. Ele fica guardado mesmo se você trocar de celular.
Guardamos só o seu personagem e um número que o Google dá para a sua conta. Nada de e-mail. Você pode apagar tudo quando quiser. Privacidade · Termos
A história é só do seu morador: não entra nos episódios nem na lore oficial.
Muita coisa de Krynthal veio dos comentários: o rei, a conselheira, o gnomo pintor, os cachorros da guarda. A sua pode ser a próxima.
As dúvidas de quem acabou de chegar.
Uma série de vídeos em pixel art no Instagram. Começou com dois moradores e uma fogueira, e cresce a cada seguidor novo. A história inteira está na Lore, e os episódios estão em Episódios.
Segue a página e comenta nos episódios quem você quer ser. A cada episódio, alguns nomes dos comentários viram personagens, com o nome em cima da cabeça. Quem pede em vários episódios e conta uma história própria tem mais chance. Você também pode deixar a sua ideia nas Sugestões.
Não é um jogo: é uma série de vídeos. Quem joga é a página inteira. Você entra seguindo e conta nos comentários quem quer ser, e é assim que a história anda. Para ter o seu morador na mão, monte a sua carta em Sua carta.
Pode pedir. Diga nos comentários o que você faz (ferreiro, padeiro, bardo, a taverna, a ferraria) e conte a sua história. Ideias de lugares e construções também entram pelas Sugestões. Mas lembre: em Krynthal o lugar se conquista.
Ninguém em Krynthal sabe o que é isso... ainda. Por enquanto, o ofício de mago está indisponível.
Porque chega muita gente a cada lua, e em Krynthal o lugar se conquista. Quem chega começa de baixo. Mas quem segue já é morador, e está nos grupos que enchem a cidade. Veja quem já entrou em Moradores.
Na aba Sua carta: escreva o seu @, escolha o ofício, monte o boneco (ou jogue o dado) e baixe. Ela sai do tamanho do story. Posta e marca a @krynthal.
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